



24 de Outubro de 20010, Manaus “a Paris dos Trópicos” comemora 341 anos. Manaus significa “mãe dos deuses” e sim é a cidade que eu Amazônida amo e muitos sulistas, nordestinos, e pessoas de todos os locais desse Brasil aprenderam a amar.
Embora não seja apaixonada por Boi Bumbá, considero contagiante as toadas que tocaram nesses 3 dias de festa, em comemoração ao aniversário da cidade. Cheias de lendas, encantos, prazeres, destruição ambiental, nativas que fazem o homem branco se apaixonar, animais que correm risco de extinção, a busca pelo El Dorado(onde ele está, nas terras ali de Boa Vista? Aqui?), o pajé que cura seu povo de doenças, os cavaleiros sem cabeça, as Amazonas índias guerreiras, enfim, tudo isso musicalmente e poeticamente me encanta. Chego a mudar minha prévia afirmação e confesso: sim sou apaixonada por boi bumbá. Este que atravessou o oceano, vindo de terras nordestinas, junto com tantos sonhos de homens e mulheres sofridos do Nordeste que vinham para o Amazonas com a esperança de aqui extrair o leite da borracha e mudar de vida, suas vidas não mudaram (ou sim),mas a minha cidade mudou. A migração não foi apenas de brasileiros, mas de ingleses, judeus, franceses, portugueses,italianos, espanhóis, gerando tantas mudanças pelo crescimento demográfico que a minha Manaus passou a ser chamada de Paris dos Trópicos. Porque?
Entre 1890 e 1910 a cidade ganhou serviço de água encanada,bondes elétricos, telefonia,etc. 1900Manaus possuía 20 mil habitantes e um teatro suntuoso, praças e jardins lindos, cassinos,calçadas de granito e pedras vindos da Europa,palacetes, serviços bancários, fontes e muitas mordomias de uma cidade moderna. Porque? Como poderiam as mulheres requintadas recém chegadas de Paris, Liverpool, Madrid morar no meio da selva sem nenhum tipo de entretenimento? Como os homens poderiam viver sem procrastinar, sem jogar, sem trair, e assim começaram as grandes misturas: homens brancos com mulheres vindas do Nordeste, Homem branco com índio, seus filhos com filhas de índios, e assim Manaus virou uma mistura, onde há gente, há calor humano, há sexo, e consequentemente miscegenação.
Sim minha bisavó era morena dos olhos verdes e meu bisavô branco dos olhos azuis, minha avó morena de olhos azuis e cabelos negros que teve filhos todos mestiços(não julgo apropriado olharmos nos dicionários a definição) o fato é que nasci de uma mulher morena, de cabelos lisos e negros como índia e belos olhos azuis e de um pai moreno parecido nordestino, e nasci uma Amazônida, uma mulher com traços de índias , com estrutura de turca,árabe. Falam de nossos narizes e alturas, e assim cada família de Manaus tem suas misturas para relatar.
Manaus tentava ser Paris, Liverpool, mas ela com seu porto flutuante que recebia navios com astutas bandeiras foi se construindo(e não , não seria Liverpool, apesar dos olhos azuis). Em 1910 ainda vivendo dos preços altos da borracha, foi surpreendida pela concorrência com a borracha da Ásia, logo os que aqui viviam, enxergaram um novo horizonte, e abandonaram a bela MANAUS, que vivia a chamada “Belle Epoque” e todos nossos prédios, monumentos foram abandonados caindo num marasmo e degradação acelerada que se mantém até hoje e é facilmente identificada no Centro Antigo de Manaus.
A partir de 1960 teve um novo trunfo para sua economia : a Zona Franca que por sua vez também veio atrair pessoas de localidades diversas e tem sido discutida e defendida em confrontos políticos e usada como trófeu: “ eu defendi a zona franca”, “eu aprovei o prolongamento da mesma” “ eu sou o responsável...” enfim o eterno discurso demagogo político partidário.
Com ou sem borracha, com ou sem Zona Franca, Manaus tem aprendido a caminhar com suas pernas, e olha que estas já devem estar cansadas afinal 341 anos não é pra qualquer um. Uma jovem senhora, lutadora, que tem encontrado seu caminho com o comércio e o Turismo.
Hoje é a oitava cidade mais populosa do Brasil e se destaca na recepção de navios e cruzeiros vindos da Europa. Segundo pesquisas da FGV e revista VocêS.A ,Manaus é a melhor cidade do Norte do país para se fazer carreira. Entre as 127 cidades estudadas, Manaus aparece em 22º. Lugar. E isso eu vejo na quantidade de alunos que vieram de São Paulo, Minas, Rio de Janeiro e do Nordeste em geral.
Me entristece essa desunião e preconceito nacional, hoje dia 24, aniversário de Manaus, li no twitter absurdos como: “ Parabéns Manaus, ficas onde mesmo? MT?” ou “Parabéns Manaus, continue tentando superar Belém” ou “Graças a Deus não moro mais aí” o fato é que essas desavenças ou ignorâncias são amortizadas pelo número tão maior de engenheiros, médicos, militares, bancários, vendedores, biólogos vindos de outros estados que dedicam a vida a Manaus e dela tiram seu sustento que afirmam: “Manaus, minha cidade querida” ou “Daqui não saio mais” . Manaus é quente, o trÂnsito é caótico, as pessoas muitas vezes são mal educadas, mas isso são males da humanidade e da modernidade, não exclusivos de Manaus. Falando mal ou não o Aeroporto Internacional Eduardo Gomes é o quinto mais movimentado do país, recebe 4,6 milhoes de passageiros por ano e é o terceiro em volume de carga, número que aumenta com o PIM(Pólo Industrial de Manaus).
Os rios que a atravessam são Negro e Solimões que viram Amazonas, e pra quem tem oportunidade viajar de transatlântico, lancha, Jet ski, ou simplesmente voadeiras(pequenas embarcações com motor que “voam “ rio a dentro) tem a chance de conhecer as belezas de Manaus. Belezas? Sim,as espécies de animais e plantas, a famosa Vitória Régia e as mulheres, sim as cunha porangas, que em Tupi quer dizer Moça Bonita, A mais bonita da tribo que encanta nativos e forasteiros.
Na Política envergonha por muitos nomes,mas se exalta com ilustres como Jeferson Peres, Arthur Neto e Gilberto Mestrinho.
Na gastronomia apaixona com o açaí, buriti,tapioca, farinha, e o jaraqui, embora o não mais delicioso,mas o peixe do manauara “comeu jaraqui, não sai mais daqui” . Para os conservadores tem todas as franquias ou quase todas de fast food.
Na música apaixona pelo boi bumbá,mas para seres que respiram música como eu tem jazz, MPB, rock,reggae e aqui posso homenagear seus instrumentistas desde Teixeira de Manaus com seu sax rasgado do beiradão, Chico da Silva com seu samba misturado com cachaça, Eliana Printes e voz poderosa que encantou a cidade maravilhosa, rio de Janeiro. Claúdio Abrantes maestro que respeito e tantos instrumentistas das nossas orquestras e big bands como: ítalo Jimenez, Aécio, Hudson Alves, Airton Gaucho , Stanley Wagner, César Serafim, e tantos tantos que é até injusto citar.
Na Literatura grandes como Thiago de Melo, Celdo Braga, Elson Farias, Márcio Souza, Tenório Teles, Milton Hautom e outras promessas que vêem por aí que aos poucos anuncio .
Agora a Band deve estar acabando de transmitir o último dia de festa de Boi Manaus, eu ainda escuto as toadas aqui de casa, palavras chaves? Preservação, índio, caboco, pajé, vida, amor, Brasil, Amazônia, tradição,raça....
Muitas realidades me envergonham, muitas me emocionam, muitas posso ajudar a mudar.
Muitas são as caras de Manaus, mas minhas palavras seriam infindas para descrever esta cidade que amo, logo cito um poeta que desprestensiosamente conheci num asilo(e me incentivou na Poesia): Áureo Nonato, onde estiver agora que cante a canção que fez e um dia me mostrou e cantou no asilo e só a ouvi novamente com a Amazonas Big Band tocando:
Quem viu você
não pode mais esquecer
Quem vê você,
logo começa a querer.
Manaus, Manaus, Manaus,
minha cidade querida.
Manaus, Manaus, Manaus,
és a cidade sorriso,
esperança da nossa Amazônia.
Manaus, Manaus, Manaus,
Minha cidade querida.
Manaus, Manaus, Manaus, Quem viu você
não pode mais esquecer.
Quem vê você,
logo começa a querer.
Manaus, Manaus, Manaus,
minha cidade querida.
Manaus, Manaus, Manaus,
és a cidade sorriso,
esperança da nossa amazônia.
Manaus, Manaus, Manaus,
minha cidade querida.
Manaus, Manaus, Manaus,
quem vê você...
Essa é Manaus: querida, bonita, alegre,rica, ligeira, Grossa, mãe, luxuosa, quente,porém calorosa, cheia de mulheres fúteis, cheias de mulheres guerreiras, lindas...Manaus, cheia de esperança, de verde, de luta, Manaus a minha casa, a minha terra e grande parte da minha vida.